Thursday, March 03, 2016

Não tenho nem uma palavra para escrever aqui.

Doí-me a alma,
E as feridas que não saram ou o fazem mal e porcamente.
Tantos anos e ainda assim sou só eu?
E morrem que nem tordos, menos eu.
Porque eu?


São os mais pequenos que me ensinam o valor de ser grande.
Agora é so brincar Huguinho.. É só brincar.

Friday, February 19, 2016

Sei que achas que a poesia não se faz para ti,
Que as palavras te rodeiam, mas não te tocam, sussuram ou se ficam.

Que és não mais que um transeunte nesta jornada literária.

E como fiel actor, limitas-te ao teu suposto papel secundário, enquanto os actos fecham e abrem, desenrolando uma história mágica de um outro qualquer alguém...

Mas não é


A poesia, rodeia-te porque se inspira em ti.Não te toca porque não sabe o que fazer de ti.Não te sussura porque não tem palavras para ti, e espera paulatinamente que os silencios adornem os traços de marfim que esculpes com os teus passos nas folhas brancas da vida.

Não há herois no mundo, não há capas douradas ou avermelhadas.Mas não é por ai que não deixa de ser a minha história preferida... a tua história
(a nossa história)

Monday, May 04, 2015

Espero pela lua ali.
Nos recantos de uma rua,
que mergulha,
pela colina sem fim.

Sobre a luz que foi que já só no fim do rio se ve.
Incandescem os candeeiros.
E enchem-me os cheiros, de uma lisboa de cravos, de lampadas de oleo e de alecrins.

E eu espero,
espero tanto que até já a relva se ri.
Dizem-me que sou eu o plantado.
Que não espere por ti.

Mas nada me interessa,
porque me perdi,
burocrata-economista,
sou louco por ti.

Monday, April 13, 2015

Já não tocava há anos.
Prometi que não tocava mais.
Era nosso. Era só nosso.

Eram momentos de banco partilhado,
quando as mãos tocavam um afinado coro e sem se aproximarem, entrelaçavam-se como duas labaredas dançaste no marfim.

Era só nosso, porque só haviamos nós.

Lembro-me das palmas que, de quando a quando, apareciam porque estava tudo bem, sem falhar uma única notinha.

E quando me ligaram a contar de ti...

Abri um cadavérico piano, poeirento e a pedir por ti.
E toquei. Toquei por instinto.
Também eu pedi por ti.
E sem tocar há 12 anos, num piano desafinado, consegui não falhar nada
Pelo menos até aquele último Mi.

Não quis acertar.
Não quis ouvir o silêncio de onde havia palmas. 
Não quis acreditar.
Que já não havia mais de ti.

Wednesday, March 11, 2015

Lembro-me daquela Novembro pouco chuvoso.
Instalava-se as primeiras penumbras de um terça feira fria quando entrei pela casa.
Eras uma daquelas raras alturas em que havia lá alguém. Em que de facto era uma casa. Estavam todos lá.
E ao rustilhar das chaves na fechadura, veio toda a vivacidade que me lembrava de haver ali. As músicas de natal precoces, o cheiro de um assado por assar no forno, um monologo entediante da irmã estudiosa e os telefonemas acutilantes de um pai em missão.
E na sala, a montar a árvore, estava a Mãe.
"Então, como correu a consulta?"

Parou tudo ai.
Nunca tive dificuldade em expressar-me. Sempre fui daqueles miudos que tem mais mensagens num sorriso do que em mil páginas de Saramago.

Mas ali, no meio de todo o vocábulo que me corria pela mente, não havia palavra certa.
Fui Directo. Conciso. Frio.

"Mãe, é cancro".
Parou de mexer na árvore, e voltou-se para mim.
Procurava em mim aquele sorriso irónico e jocoso que atiro irracionalmente a tudo e todos. Procurava a piada e o ar zombeteiro.

Procurava algo que eu não tinha para dar.
Caiu-lhe uma lágrima pelo canto do olho, e enquanto escorria pela face, atraia todas as que criam sair de mim.

Ainda hoje me lembro daquela tarde no Novembro pouco chuvoso. Tinha 20 anos, e não devia haver mágoas na vida. Não maiores que um exame de farmacologia, um ano barreira, ou o não falar com um velha amiga. Devia estar preocupado com brigas de namorados e cusquices de sabe-se lá quem. Mas a vida não se rege pelos devias. A vida fazia de mim o que queria.

Custaram-me tanto aquelas lágrimas que ainda hoje me custa contar a mais alguém. Porque só trago a dor aqueles me querem, e a quem eu quero o bem.

Pudesse eu voltar atrás no tempo.





Friday, January 16, 2015

E quando a morte veio, fiquei perplexo.
Estava já há tanto tempo à espera. Ali, naquele fim de mundo branco e desolado,
ricamente adornado com um simples e só tripé. Não questionei, sentei-me e esperei.
E esperei.
E voltei a esperar.

Foi assim a minha vida. Desde criança, que todas as batinas que me viam, me diziam que a morte estava quase quase a chegar e criaram em mim um fascínio doentio por esse dia.
Aos poucos, a certeza de um fim foi tomando o lugar de um futuro sonhador que nasce com todas as crianças. E às tantas, dei por mim ali. Sentado no pequeno tripé, simples e somente à espera.
Até que percebi que a morte já não vinha para mim.
E não soube o que fazer.
Se o meu propósito era aquele, se era aquele o meu dever. Se isso era nada, que é que agora valia em mim?

Mas a morte veio...
Veio quando já não estava à espera.

Saturday, December 20, 2014

Pensei (arduamente) no que te dar.
Revolvi-me nas profanas e matutinas horas,
por entre brancos lençóis e paredes brancas.
Mas a mente recusou-se
e ficou-se também branco.

Porque não te consigo mostrar algo tão simples?
Porque não te sei dizer que gosto de ti?
É fácil sentir e tão difícil estar sentido.

Se calhar, já não tenho que dizer.
Se calhar sabes...
Se calhar não queres saber...