Friday, January 31, 2014

Carta de Despedida.

Deixo em branco a carta que se recosta na mesa.
Lambe-lhe as chamas de uma vela viva,
que gradualmente se apaga tão tão paulatinamente...
E os olhos, agora pesados e negros moribundos, fazem-lhe companhia.


E sem tinteiro, sem caneta, sem mensagem, sem despedida de algibeira a folha crepita na mesa.

Deixo em branco um adeus saudoso e por dar um beijo zeloso.
Deixo estar um abraço, um conforto. Que procurem dono num outro lado.

Porém, em cada linha branca, vive um amor não declarado.
Em cada ponto protelado, ainda espera um sonho adiado.
Em cada virgula não marcada, uma missão não acaba.

Tinha mesmo que ser assim?

Resta a magoa e a dor de quem não sabe não sentir.